
SUÁSTICA
A maior e mais brilhante (mesmo que terrível) máquina de propaganda política da história foi criada pelo regime nazista alemão, cujo aproveitamento consciente da imagem como meio de subjugação das massas foi levado a um extremo (felizmente) ainda não superado. Hitler e o seu ministro da Propaganda, Goebbels, montaram uma máquina letalmente eficaz assente num estudo profundo do comportamento do povo a que se dirigiam. A receptividade das grandes massas é muito limitada, a sua inteligência é pouca, mas o seu poder de esquecimento é imenso. Conseqüentemente, toda a propaganda eficaz deve ser limitada a muito poucos pontos e deve concentrar-se nestes 'slogans' até ao último membro do público entender o que quiseres que ele entenda pelo teu 'slogan' (1).
Coincidência ou não, foi um arquiteto, Albert Speer, o responsável pelas campanhas de propaganda no início do III Reich, no qual era ministro da Defesa. Um dos seus maiores triunfos terá sido o espetacular comício de 1934 na pista de Zeppelins em Nuremberga. Speer concebeu uma deslumbrante catedral de luz ao projetar no céu 130 focos anti-aéreos colocados a intervalos de 13 metros à volta da pista, erigindo uma monumental colunata luminosa. Simultaneamente, dezenas de holofotes iluminavam estrategicamente o recinto, sublinhando ou escondendo o que fosse conveniente. Speer chegou mesmo a dizer que as luzes tinham a vantagem de dramatizar o espetáculo, ao mesmo tempo que conseguiam colocar um véu sobre as figuras não demasiadamente atrativas dos barrigudos burocratas do partido a desfilar (2).
Toda esta embriaguez cênica, ainda mais arrebatadora nas primeiras décadas de um século ainda pouco habituado a grandes espetáculos, envolveu toda a multidão, que perdeu o estatuto de espectadora para adquirir a muito mais sedutora condição de participante. A partir deste momento, tornava-se ainda mais fácil iludir as consciências daqueles que se maravilhavam com a grandiosidade do regime. O acontecimento foi tão total e tão eficaz que se torna difícil distinguir onde começam e acabam o comício político e a obra de arte.
Speer orquestrou magistralmente uma opereta que marcou o início da vasta campanha propagandística nazista, que se recorreria freqüentemente à arte para atingir os seus intentos, o que sucederia nos magníficos documentários de Leni Riefensthal e nos imponentes edifícios construídos em Berlim sob a atenta supervisão do frustrado artista Adolf Hitler. Era a típica arquitetura de ditadura, monumental, esmagadora, projetando uma imagem de poder férreo, suscitando simultaneamente a admiração e o temor do observador. Um efeito que apenas se quebraria com as bombas que se abateram sobre a Berlim de 1944.
E ainda que as artes em geral, e a arquitetura em particular, tenham sido constantemente utilizadas pelo poder como veículo privilegiado de propaganda, poucas vezes se viu um ardil tão bem montado, em que o uso da imagem na arquitetura carregasse tamanho significado e efeito. O contexto é a chave que transforma a obra de arte em instrumento político. Há ainda um mérito para o nazismo, um mérito terrível, porém histórico. O nazismo conseguiu edificar a primeira construção destinada à MORTE: as câmaras de gás. Uma invenção genuinamente nazista, única na história da arquitetura...Escreverei sobre isso numa outra oportunidade.
1. Adolf Hitler citado por David Welch in WELCH, David – The Third Reich: Politics And Propaganda, Routledge (1994): The receptivity of the great masses is very limited, their intelligence is small, but their power of forgetting is enormous. In consequence, all effective propaganda must be limited to a very few points and must harp on these in slogans until the last member of the public understands what you want him to understand by your slogan.
2. Albert Speer citado por Neil Leach, La An-estética de la Arquitectura, Gustavo Gili (1999): Tenían la ventaja de dramatizar el espectáculoal mismo tiempo que conseguían interponer un velo sobre las figuras no demasiado atractivas de los barrigudos burócratas del partido desfilando.
A maior e mais brilhante (mesmo que terrível) máquina de propaganda política da história foi criada pelo regime nazista alemão, cujo aproveitamento consciente da imagem como meio de subjugação das massas foi levado a um extremo (felizmente) ainda não superado. Hitler e o seu ministro da Propaganda, Goebbels, montaram uma máquina letalmente eficaz assente num estudo profundo do comportamento do povo a que se dirigiam. A receptividade das grandes massas é muito limitada, a sua inteligência é pouca, mas o seu poder de esquecimento é imenso. Conseqüentemente, toda a propaganda eficaz deve ser limitada a muito poucos pontos e deve concentrar-se nestes 'slogans' até ao último membro do público entender o que quiseres que ele entenda pelo teu 'slogan' (1).
Coincidência ou não, foi um arquiteto, Albert Speer, o responsável pelas campanhas de propaganda no início do III Reich, no qual era ministro da Defesa. Um dos seus maiores triunfos terá sido o espetacular comício de 1934 na pista de Zeppelins em Nuremberga. Speer concebeu uma deslumbrante catedral de luz ao projetar no céu 130 focos anti-aéreos colocados a intervalos de 13 metros à volta da pista, erigindo uma monumental colunata luminosa. Simultaneamente, dezenas de holofotes iluminavam estrategicamente o recinto, sublinhando ou escondendo o que fosse conveniente. Speer chegou mesmo a dizer que as luzes tinham a vantagem de dramatizar o espetáculo, ao mesmo tempo que conseguiam colocar um véu sobre as figuras não demasiadamente atrativas dos barrigudos burocratas do partido a desfilar (2).
Toda esta embriaguez cênica, ainda mais arrebatadora nas primeiras décadas de um século ainda pouco habituado a grandes espetáculos, envolveu toda a multidão, que perdeu o estatuto de espectadora para adquirir a muito mais sedutora condição de participante. A partir deste momento, tornava-se ainda mais fácil iludir as consciências daqueles que se maravilhavam com a grandiosidade do regime. O acontecimento foi tão total e tão eficaz que se torna difícil distinguir onde começam e acabam o comício político e a obra de arte.
Speer orquestrou magistralmente uma opereta que marcou o início da vasta campanha propagandística nazista, que se recorreria freqüentemente à arte para atingir os seus intentos, o que sucederia nos magníficos documentários de Leni Riefensthal e nos imponentes edifícios construídos em Berlim sob a atenta supervisão do frustrado artista Adolf Hitler. Era a típica arquitetura de ditadura, monumental, esmagadora, projetando uma imagem de poder férreo, suscitando simultaneamente a admiração e o temor do observador. Um efeito que apenas se quebraria com as bombas que se abateram sobre a Berlim de 1944.
E ainda que as artes em geral, e a arquitetura em particular, tenham sido constantemente utilizadas pelo poder como veículo privilegiado de propaganda, poucas vezes se viu um ardil tão bem montado, em que o uso da imagem na arquitetura carregasse tamanho significado e efeito. O contexto é a chave que transforma a obra de arte em instrumento político. Há ainda um mérito para o nazismo, um mérito terrível, porém histórico. O nazismo conseguiu edificar a primeira construção destinada à MORTE: as câmaras de gás. Uma invenção genuinamente nazista, única na história da arquitetura...Escreverei sobre isso numa outra oportunidade.
1. Adolf Hitler citado por David Welch in WELCH, David – The Third Reich: Politics And Propaganda, Routledge (1994): The receptivity of the great masses is very limited, their intelligence is small, but their power of forgetting is enormous. In consequence, all effective propaganda must be limited to a very few points and must harp on these in slogans until the last member of the public understands what you want him to understand by your slogan.
2. Albert Speer citado por Neil Leach, La An-estética de la Arquitectura, Gustavo Gili (1999): Tenían la ventaja de dramatizar el espectáculoal mismo tiempo que conseguían interponer un velo sobre las figuras no demasiado atractivas de los barrigudos burócratas del partido desfilando.


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